Anos 30


A década de 30



·        Introdução

A Década de 30 foram anos em que houve grandes mudanças, não somente no mundo da Moda, ou seja, dos vestidos, das roupas, acessórios. O objetivo é mostrar que as vestimentas são influenciadas pelos contextos em que se passam, as vivências, as características de cada época que fazem as mudanças.
Ao longo do trabalho, é visto mais do que o acontecimento no mundo, mas também as inovações, criações, que surgiram na época. Assim como os grandes talentos, e personalidades que fizeram seu destaque nos anos 30.
A arte, a moda, o mundo, os estilistas, as guerras, as pessoas comuns, todas fazem parte de um cenário sujeito à mudanças, que são realizadas não somente pelo exterior, mas que também se tornam participantes co-ativos dessa transformação.
Além da expressão de alguns dos fatos ocorridos nessa época, também é exposto um paralelo, dos dias antigos para os atuais. Em que vemos as marcas de cada época bem presentes no nosso cotidiano e que muitas vezes passam despercebidas por falta de conhecimento.
O trabalho apresenta um misto de todas as realizações, prioridades, ensejos importantíssimos, para nos “ligarmos” que o passado não dorme, mas sim renasce.


·        Delimitação do Tema

Será abordado nesse trabalho a década de 30 em geral, apresentando juntamente às questões de moda, também o contexto histórico, a indústria fonográfica, as questões artísticas, os grandes estilistas da época, o estilo de maquiagem das mulheres, os estilos de vestuário e a junção deles nos dias atuais como paralelo da situação.

·        Justificativa

A realização dessa pesquisa tem embasamento em explorar a cultura, a moda, o que ocorria nessa época, e analisar como isso influi nas questões de vestuário e tendências daquela época como também as tendências que voltam a fazer sucesso nos dias atuais. É uma retrospectiva de uma época marcante da história tanto no Brasil como na Europa que corresponde ao tempo antecedente da Segunda Guerra Mundial em 1939, e mostrar também como o contexto influência na maneira de se vestir.

·        Objetivo

Em suma o objetivo da pesquisa é passar aos leitores, algumas informações culturais sobre a década de 30 para que sejam absorvidas de forma a preencher o repertório dos leitores, e ainda expor as principais características que mudaram aqueles anos e que hoje é apenas conseqüência daquela época, tanto em contexto brasileiro e europeu com algumas tendências que foram importadas e repercutidas no Brasil.


1.2 – Contexto histórico

Política

- 1930: Movimento político que derruba Washington Luis.

- 1931: Queima do café.

- 1932: Revolução Constitucionalista

- 1933: Assembléia Constituinte

- 1934: Nova Constituição

- 1935: Fracasso das Revoltas Comunistas

- 1937: O golpe antes das eleições

- 1938: Começo do Estado Novo

- 1939: Segunda Guerra Mundial



Cinema/ Moda/ Literatura

- 1930: Oswald de Andrade escreve “O homem e o Cavalo”

- 1931: Valdomiro Silveira – prosa e poesia regional

- 1932: Nasce Álvaro Apocalipse/ Cloves Graciano revolução de 32

- 1933: Nasce Joãozinho trinta/ “Ganga Bruta” filmes de Humberto Mauro

- 1934: Morre Coelho Neto que escreveu “ A capital Federal”

- 1935: Os musicais no cinema, Wallace Downey/ Graciliano Ramos

- 1937: Valdomiro Silveira “Mixuango”

- 1938: Graciliano Ramos “Vidas Secas”/ Produção de “Banana da Terra”

- 1939: Nasce Ralph Tauren

1.3 – A indústria Fonográfica

O disco no Brasil fica popular  a partir dos anos 30. Apesar de já  ser produzido no Brasil, ainda era um  artigo de luxo. Os primeiros astros da música brasileira foram Francisco Alves, Silvio Caldas, Vicente Celestino, Carlos Galhardo, Orlando Silva, ‘Mário Reis e Aracy de Almeida.
A partir dos anos 30, o rádio viveu a sua fase áurea que durou até os anos 40.
Consagração dos programas de auditório, transmitidos ao vivo, no Rio destaque para as rádios Nacionais, Phillips e Mayrink  Veiga. Em São Paulo para as rádios    Record, Tupi, Cruzeiro do Sul e Bandeirantes, esta se uniu à emissora homomina do Rio, formou a Cadeia Verde Amarela  primeira rede Brasileira.
As canções de maior sucesso foram às marchinhas de carnaval. Muitas se tornaram clássicos e revelaram compositores  fundamentais na história da música  brasileira  como Lamartine Babo, Ari Barroso, Braguinha, Noel Rosa, Sinhô, Joubert de Carvalho, Assis Valente, Custódio Mesquita, Benedito Lacerda e André Filho.
A voz definitiva de Carmem Miranda, foi uma das primeiras artistas a fazer sucesso no exterior.  Cantava as marchinhas de carnaval, a mais famosa “Pra você gostar de mim (taí)” vendeu mais de 35 mil cópias, um recorde para a época.
Carmem era acompanhada pelo grupo Bando da Lua, liderado por Aloísio de Oliveira, tornou-se um dos maiores produtores  de trilhas  sonoras, até para a Walt Disney. Foi fundador da gravadora elenco  e um dos líderes da bossa nova.
Em 1939, Carmem Miranda adotou o modelito de baiana que a celebrizou, a Brazilian Bombshel, como ficou conhecida, tornou-se uma das principais estrelas de cinema.
Nenhuma artista havia mesclado, com tanta eficácia, música, dança, moda e cinema como ela. O sucesso lhe rendeu uma estrela na calçada da fama em Hollywood, ao lado de outros astros, como Frank Sinatra e Judy Garland. Mas o excesso de trabalho    transformou Carmem em uma pessoa deprimida. Ela começou   a usar, com freqüência, remédios para  dormir e mantê-la acordada  durante os shows noturnos  em cassinos e teatros.
Morreu vítima de ataque cardíaco aos 46 anos, após ter participado de um programa de Tv



1.4 – A arte Moderna

A partir de 1900 há grande multiplicidade de caminhos, correntes, estilos e manifestações estéticas: Fauvismo, o Futurismo, o Cubismo, o Construtivismo, o Expressionismo, o Surrealismo, o Dadaísmo, o Abstracionismo, o Concretismo, o Minimalismo e outros  “ismos” que, de forma sucessiva ou simultânea, apontam  cada vez mais para a direção da Liberdade.     O artista  tanto pode trabalhar com a imitação da realidade  (Hiper-realismo) como com a anatomia em relação  á figura e ao real (Abstracionismo), como também pode mesclar diversas artes (Performances e Instalações); música, teatro, escultura, pintura, vídeo, fotografia, cinema etc. Os efeitos estéticos se misturam a denúncias sociais e a manifestações conceituais, desafiando o apreciador a vivenciar experiências intelectuais e sensoriais significativas.
A escultura  também passou por transformações em busca de novas formas de expressão.  Brancusi  (1876-1957) produziu uma escultura totalmente abstrata.
Alexander Calder (1898-1976)  inventou  a escultura em movimento  (móbiles ou stábiles).
O russo Kandinsky (1866-1954) foi quem primeiro se aventurou pela pintura livre das  preocupações  figurativas.
Matisse  (1869-1954) desenvolveu uma pintura de influência oriental, voltada para a simplicidade, mas que passava por um sofisticado  processo intelectual. Ele declarou: “Trabalhei anos para que as pessoas dissessem:” Parece tão fácil de fazer”.
Acreditando em um novo papel para a arte, os surrealistas pintavam  o mundo dos sonhos querendo revelar as verdades de cada pessoa. Miro (1893-1983) afirmou  que sua vontade era “expressar com precisão todas as fagulhas douradas que a alma solta”.
René Magritte pintou em 1934, um quadro que se chamava "A condição Humana". Salvador Dali num outro quadro o título era A persistência  da Lembrança. Uma das grandes influências nesse processo de libertação  do pensamento e das propostas  de Marcel Duchamp, que expôs uma roda de bicicleta presa a um banco e declarou: “A arte é um olhar amoroso sobre a vida”.
Pablo Picasso (1881-1973) foi um artista múltiplo, que passou por várias correntes e utilizou várias técnicas. Certa vez, ele declarou que seus quadros eram páginas de seu diário, testemunhando a relação íntima entre a criação e a vida.
Ao mesmo tempo os artistas modernos   procuravam se atualizar com inovações  estrangeiras, eles começam uma redescoberta dos valores nacionais em busca de uma linguagem mais brasileira.
Cícero Dias. Com a obra Eu vi o mundo... Ele começava no Recife, 1926. Alberto da Veiga Guignard. Natureza morta com Peixes, 1933. Cândido Portinari. Quadro  Café, 1935.
Na arquitetura também se transformou, adquiriu  personalidade própria e hoje é uma das mais representativas do mundo.



1.5 – Os Estilistas



·        Nina Ricci

Costureira que montou seu salão de alta costura em 1932 gostava de padrões e cores suaves, flores eram motivos constantes em suas coleções. Seus vestidos eram românticos, femininos e senhores. Também usava manequim viva como ALix Grés.



·        Alix Grés
Queria ser escultora e não teve apoio da família. Hoje é conhecida por Madame Grés desde (1942). Concorrente direta de Nina Ricci, seus vestidos eram brancos e lembravam túnicas gregas, não tinham bordados nem grandes decotes. Aos 81 anos lançou a linha prêt-à-porter.





·        Cristobal Balenciaga

Estilista Espanhol, filho de pescador, aos 12 anos desenhou seu primeiro vestido para uma marquesa. Suas roupas tinham um grito dramático, gostava de tecidos sintéticos, ombros caídos, cintura estreita e roupas que marcavam os quadris. O auge de seu sucesso foi em 1950.










1.6 – Estética: Maquiagem e Cabelo

A maquiagem nos 30 era sinônimo de beleza, pois era uma época que redescobriu as mulheres, tanto pela evolução nos anos 20, como também por uma nova era em que a beleza, a saúde, a prática de esportes e a vida mais saudável foram pontos fortes. Sobrancelhas totalmente depiladas e redesenhadas com lápis, num traço fino, ousado e marcante, e as sombras de pálpebras em pó exploravam todos os matizes, indo dos castanhos aos cinzas, e inclusive ao preto para a noite. Os cílios cuidadosamente recurvados e cobertos por máscaras para cílios. Para evitar todo excesso considerado vulgar, a maquiagem da boca tornou-se mais discreta.
Batom Lancôme - Lançado em 1937 veio substituir o Rouge Baiser, um batom duro e seco. Brilho, suavidade e várias cores são as principais qualidades desse incrível batom.
Leite de Rosas - Surgiu em 1929, como uma loção embelezadora para a pele feminina. Até o seu frasco, na época de vidro, lembrava as formas do corpo feminino, com "cintura fina".
O lançamento de um óleo bronzeador estava em evidência, pois bronzear a pele estava na moda, e teve início nos 20, mas tomar banho de mar, e de sol, teve sua repercussão nos anos 30.
Os cabelos da moda desse momento eram os curtos, não tão curto como os à la garçonne, mas um pouco maiores, e o charme era fazer ondulações.
Os penteados dispuseram os cabelos em caracoizinhos simétricos, difíceis de se desfazer por via permanente. Chanel também inovou no corte dos cabelos deixando-os soltos nos ombros, e juntos por uma fita e mais maleáveis.
Os chapéus completavam a elegância dos penteados, sendo usados nessa época, os de longas abas, embora os pequenos também tenham sido usados nessa época em um estilo mais floral e ligeiramente caindo sobre a testa. Elza Schiapparelli, também deu nova cara aos chapéus lançando charpas bicolores, chapéus de palha em forma de cone.
O glamour dos filmes hollywoodiano também influenciou muito na estética feminina, as atrizes era sinônimo de beleza e ditavam moda. As mulheres aprenderam alguns cuidados de beleza como máscaras e banhos de espuma, depilação das pernas e um toque de batom nos lóbulos das orelhas.
Também a criação de institutos de beleza era uma febre entre as mulheres que apostaram na beleza do corpo, e estética, onde faziam banhos de espumas, mantendo seus corpos esbeltos para favorecer a maternidade.
1.7– O vestuário

A moda nos anos trinta deu início a uma redescoberta das formas femininas pouco valorizadas pela moda nos anos 20. Com a crise da bolsa de valores de Nova York, deixou o mundo com problemas financeiros seriíssimos, mas isso não se refletiu na moda, pois ela renasceu com grande sofisticação, luxo e esplendor.
A nova moda trouxe de volta as saias longas, prevalecendo o estilo mi-molet, que significa “no meio da panturrilha”, sendo 25 cm de altura do chão e para a noite os vestidos eram longos. Os vestidos passaram a ser justos e retos, a cintura voltou ao lugar, marcada sem exagero sendo acentuada. A década de 30 foi marcada também pelo corte godê e do evasê, dando um romantismo no novo visual, além disso, o corte viés foi introduzido por Madeleine Vionnet dando sensualidade as formas femininas. Para os dias frios, os mantôs eram indispensáveis e os casacos de pele e de pêlo de cordeiro foram a moda. As bolsas pequenas e os sapatos escarpins de aspectos mais pesados e as sandálias complementaram os pés das mulheres, que preferiam usá-las com calças pantalonas que também estava em alta.
 A verdadeira sensualidade vinha realçada na parte de trás dos vestidos, pois foi a parte em evidência nos anos 30. O grito da moda era exibir as costas, sobretudo nos vestidos de noite, além de alguns acessórios como boleros e capas, num look mais elegante e fino, eram muito usados nesta época e foi então que os vestidos se tornaram mais justos e retos e acompanhavam estas capas.
O tecido mais utilizado e que serviu como identidade da década foi o cetim, dando toques sedosos e brilho, seguindo a linha clássica, tudo o que era simples e harmonioso passou a ser valorizado, sempre de forma natural, com o surgimento de novos materiais, como baquelita – uma espécie de plástico maleável – foi um dos grandes renovos .
Outro fator que marcou a moda desses anos, foi a pratica de esportes como o tênis, a patinação e o ciclismo, a vida ao ar livre, que fez com que os trajes de banho, os saiotes diminuíssem o tamanho, as cavas aumentaram e os decotes chegaram até a cintura. Essa moda livre não influenciou apenas no vestuário, também abrangeu as maquiagens, tipo físico, a valorização do corpo tornou-se necessária, as formas eram marcadas, porém naturais. De moda também novas cores forem introduzidas ao guarda roupa feminino como o estampado, as golas brancas de piqué, os jabots de renda, as cores pastel, o azul e o negro para todas as mulheres.
Os homens também não ficaram de fora nos anos 30, depois de terem chamado de tuxedo os smoking, usando-o com camisas moles, adaptaram os casacos brancos, tipo oficial de marinha. A moda quis para eles um vestuário elegantemente descuidado como: calças não passadas, velhas flanelas, casacos ligeiramente deformados, também havia variações da largura das calças, dos paletós, dos colarinhos, etc. Um aspecto marcante foi o chapéu canotier, também conhecido como chapéu palheta.



1.8 – O Paralelo

A relação com a década de 30 e os anos atuais ainda continua a flor da pele, vê-se,por exemplo, diversos acessórios, roupas, que fazem sucesso e são bastante utilizadas nos dias de hoje.
Alguns citados, como óculos de Sol, calças pantalonas, blusas com as mangas compridas mais abertas, vestidos floridos, com babados, uma marco da estilista Nina Ricci,shorts, boleros para acompanhar vestidos de noite, Sandálias, decotes tanto na parte da frente ou nas costas das blusas, etc.
Todos foram marcos dos anos 30 que tiveram seu ponto inicial, e que são repercutidos até hoje, claro que com suas inovações, estilos e designers diferentes da época, mas em si, a características das roupas não mudaram, prevalecendo até hoje. Vemos também que na moda, nada é passageiro, e sempre corre o risco de voltar à moda.






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